segunda-feira, 9 de julho de 2012






AS ORIGENS DA IGREJA ORGÂNICA


Na realidade, pode-se dizer que a igreja orgânica sempre existiu, desde Pentecostes, e que também continuará a existir para todo o sempre, pois ela é a expressão da verdadeira Igreja de Jesus Cristo e as portas do inferno não prevalecerão contra ela, conforme Jesus Cristo assim o determinou e assim ficou registrado no Evangelho de Mateus (Mateus 16:18).
Na verdade, o que o criterioso estudo da História da Igreja nos mostra é que, a partir do momento em que o governo da Igreja foi concedido a um homem, decisões começaram a ser tomadas a partir de critérios de julgamento exclusivamente humanos e pessoais, iniciando-se então um progressivo afastamento do modelo original concebido por Cristo.
Muitos daqueles que defendem a existência de um “governo central” da Igreja, ou de uma denominação, se baseiam no texto de 1 Coríntios 12:28, onde Paulo menciona o dom dos “governos”, para justificarem a nomeação de bispos que atuem como “chefes soberanos da Igreja”, com poder suficiente para tomar decisões que, freqüentemente, incluem profundas alterações doutrinárias, seja por exclusão, inclusão ou alteração, muitas vezes sem suficiente respaldo bíblico, sem oração, sem consulta à congregação ou a um conselho de anciãos ou presbíteros enfim.
Realmente o texto de 1 Coríntios 12:28 menciona o comissionamento de governos para as igrejas locais, porém é preciso compreendermos bem o que Paulo está ensinando aqui, pois é da correta compreensão dessas instruções que depende o bom funcionamento da igreja como um organismo espiritual vivo e não como uma empresa ou como uma associação qualquer, coisa que infelizmente vemos hoje em escalas cada vez mais assustadoras.
A habilidade para conduzir a administração de uma congregação, ou igreja local, é verdadeiramente um dom com o qual o Espírito Santo capacita e habilita – a seu critério – algumas pessoas em particular, dentro de uma comunidade, porém dois detalhes são importantes nesse texto: o uso da palavra “governo” no plural e a palavra em grego originalmente usada para expressar “governo” nesse trecho da carta.
Quanto ao uso da palavra no plural, e não no singular, isso deixa bem claro que essa não é uma função a ser exercida por uma única pessoa, que acabe se tornando autoridade máxima local, mas sim a um grupo de pessoas, que satisfaçam a um critério e que sejam capacitadas para tal missão pelo Senhor Santo Espírito. O critério é aquele que Paulo dita a Timóteo em 1 Timóteo 3, onde surge a figura do bispo como alguém que “cuida” da igreja de Deus e que precisa obedecer a todo um conjunto de condições de caráter e de conduta moral. Um pouco mais adiante, na mesma carta em 1 Timóteo 5:17, Paulo mostra que esse “cuidado da igreja de Deus” é delegado a um corpo de anciãos, ou presbíteros, que atuam em conjunto nas tarefas administrativas de uma congregação ou comunidade local da Igreja. Os textos do Novo Testamento, todos escritos originalmente em grego koiné, usam indistintamente as palavras bispo, ancião e presbítero, de forma totalmente intercambiável, conforme menciona, por exemplo, o Dicionário Léxico Thayer Grego-Inglês. Esse “conselho de anciãos” geralmente elegia um representante que falava em nome de todos e que representava aquela comunidade em eventos que reuniam várias outras comunidades, porém as decisões mais importantes sempre eram tomadas em conjunto, como um ato do conselho de anciãos e não como uma decisão pessoal de um único homem. A exemplo disso podemos ler Atos 14:23, Atos 20:17, etc., sendo que, a título de curiosidade, o ancião, ou bispo, representante de uma comunidade, era comumente chamado de “anjo da igreja”, explicando assim o nome dado aos destinatários da cartas às sete igrejas no Livro do Apocalipse.
Quanto à palavra grega originalmente usada para “governo” no texto de 1 Coríntios 12:28, Paulo usou a palavra “kubernésis” da qual se origina a palavra “cibernética”, que se tornou conhecida de todos após o advento dos computadores, e que significa não exatamente um governo no sentido de exercício de poder, ou autocracia, mas sim “controle” no sentido de manter algo em funcionamento, estritamente de acordo com um programa previamente estabelecido por alguém que, no caso da Igreja, é o próprio Jesus Cristo, Ele sim o único governante da Igreja, pois Cristo é a própria cabeça da Igreja, que é Seu Corpo, conforme Paulo mesmo reforça em Efésios 5:23.
A cibernética – originada da “kubernésis” grega – é algo que não se aplica apenas aos computadores, mas a todo e qualquer esforço no sentido de manter-se um sistema em funcionamento, de acordo com um conjunto de instruções, ou “programa”, já definido. A cibernética dos computadores diz que um computador deve executar passo a passo o programa residente em sua memória, exatamente como foi escrito, sem promover qualquer alteração no código fonte. Da mesma forma, na “cibernética da Igreja”, os governos devem manter as congregações, ou comunidades, ou ‘igrejas locais” em funcionamento exatamente de acordo com as regras estabelecidas por Jesus Cristo, isto é a Doutrina de Cristo, sem remover nada, sem incluir nada, sem alterar nada, a tal ponto que Paulo diz aos Gálatas:
“Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema [maldição]”. (Gálatas 1:8)
Entretanto, já no Livro de Atos dos Apóstolos (Atos 15) vemos o poder de governo da Igreja concentrado na figura de um único homem, Tiago, Bispo de Jerusalém, que muito embora orientado pelo conselho de apóstolos e anciãos ali presentes naquela assembléia, a deliberar exclusivamente sobre a questão da circuncisão dos estrangeiros que desejavam tornar-se cristãos, toma uma particular decisão pessoal de remover não apenas essa exigência - o que é correto pois Jesus não mandou circuncidar, mas batizar (Mateus 28:19) – mas sim remover todo um desconhecido conjunto de regras previamente estabelecidas, além de incluir outras (Atos 15:19-20) explicitamente inspiradas na lei mosaica. Ali havia sim a “kubernésis” no sentido de remover algo estranho ao cristianismo, porém entrou em ação também uma autocracia, no sentido de remover e de inserir:
“Depois que eles se calaram, tomou Tiago a palavra e disse...” (Atos 15:13)
Essa configuração de poder autocrático (patriarcado) expandiu-se, a partir de então, em primeiro lugar rumo a Antioquia e depois para outros grandes centros religiosos do cristianismo até que, nos fins do século 4, todas as comunidades da Igreja eram governadas, de acordo com a sua localização, por cinco “patriarcados”, através dos bispos de Jerusalém, Antioquia, Constantinopla, Alexandria e Roma.
Nessa mesma época, por volta de 325 DC, surge a figura do imperador romano Constantino que, após uma conveniente “conversão”, idealiza um modelo de igreja que ele mesmo passou a chamar de “Igreja do Salvador” e convence o então patriarca de Roma, Silvestre I, a aceitar as modificações introduzidas por tal modelo, incluindo a veneração de imagens, em troca do fim da perseguição aos cristãos e da elevação desse “novo modelo” à categoria de religião oficial de Roma, sendo que, entre outras coisas, Silvestre I recebe, como um “sinal de boa vontade” do imperador, um luxuoso palácio doado por Fausta, esposa de Constantino, e que acabou se tornando a primeira “residência papal”. Novamente um significativo volume de práticas e doutrinas estranhas ao Evangelho é introduzido nas igrejas, enquanto outro expressivo volume é removido, por motivações puramente pessoais.
Quando estudamos minuciosamente a História da Igreja, vamos notar que, a cada vez que essas grandes modificações são introduzidas, algumas comunidades resistem corajosamente e, muito embora freqüentemente perseguidas até a morte, preferem perseverar na doutrina de Cristo e então buscam a separação e o isolamento.
Assim foi com os padres do deserto, com os anabatistas e muitos outros grupos de crentes que preferiram afastar-se da “igreja institucional” para manter preservados os princípios doutrinários, morais e éticos da Igreja de Jesus Cristo, como “universal assembléia dos santos” e como “organismo”.
Isso, em sua essência, é a assim chamada “igreja orgânica” mantendo-se santa e preservada das falsas doutrinas e do modelo institucional desde o princípio: sem prédios específicos para uso como templos, sem a figura de um “governante”, sem hierarquias, sem acúmulo de riquezas, sem vínculos com o Estado e com o poder econômico.
Um bonito exemplo de uma das manifestações da igreja orgânica no passado é encontrado quando estudamos uma seita cristã do século XII, conhecida como Valdenses, que era formada pelos seguidores de Pedro Valdo, um rico comerciante de Lyon que se converteu ao Cristianismo por volta de 1174.
Praticamente 400 anos antes da Reforma Protestante, Pedro Valdo resolveu encomendar uma tradução da Bíblia para a linguagem popular e começou a pregá-la ao povo sem ser um sacerdote. Ao mesmo tempo, Valdo renunciou à sua atividade comercial e aos bens advindos dessa atividade, os quais repartiu entre os pobres.
Desde o início, os valdenses afirmavam o direito de cada fiel de ter a Bíblia traduzida em sua própria língua, considerando ser ela a única fonte de toda autoridade eclesiástica e o único repositório de toda a sã doutrina da Igreja de Jesus Cristo.
Eles reuniam-se em casas de famílias ou mesmo em grutas, clandestinamente, devido à forte perseguição da Igreja Católica Romana, já que negavam a supremacia de Roma e rejeitavam o culto às imagens, que consideravam como sendo idolatria.
Os valdenses acabaram sendo expulsos de Lyon e encontraram refúgio nos Alpes, na região italiana do Piemonte.
Mas os Valdenses não pretendiam se separar da igreja Católica, tanto que por mais de trezentos anos continuaram fazendo parte dela, apenas tendo seus próprios costumes. Só com a Reforma Protestante, no início do século XVI, é que eles se identificaram com os ensinamentos de Lutero e de Calvino e aderiram à Reforma, tornando-se uma igreja evangélica.
No século XVII, no contexto das guerras de religião, os Valdenses foram exilados dos Alpes, onde estavam estabelecidos há séculos, e quase chegaram a ser eliminados completamente. Mas sobreviveram às perseguições, voltaram aos Alpes e mantiveram até hoje a fé evangélica. São hoje uma das principais igrejas protestantes na Itália e estão presentes, em menor número, em países como a Argentina, o Uruguai e os Estados Unidos, tendo inspirado – no Brasil – a criação da conhecida Congregação Cristã do Brasil.
E, por falarmos em século XVII, vem à nossa lembrança uma outra importante manifestação da igreja orgânica: o Pietismo. Vamos entender um pouco sobre esse importante conceito surgido logo após a Reforma Protestante de Martinho Lutero.
Há cerca de 400 anos atrás, um pastor chamado Philipp Jakob Spener (1635-1705) começou a preparar uma pregação sobre o Sermão da Montanha, para o culto dominical da sua Igreja Luterana em Frankfurt, na Alemanha. Para tanto, Spener começou a ler o Capítulo 5 do Evangelho de Mateus e, de repente, algo que ele lê o assusta e o conduz a uma profunda reflexão que mudaria para sempre a sua vida.
O que poderia ter causado tamanho impacto ao pastor Spener no texto de Mateus 5?
Na verdade ele havia acabado de ler a inquietante declaração do Senhor Jesus Cristo, logo após o discurso do Sermão, em Mateus 5:20:
"Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus".
Essa advertência de Jesus Cristo foi dirigida aos seus próprios discípulos: pessoas que nele criam e que, portanto, já estariam tecnicamente salvos pela regra da simples Justificação pela fé de Romanos 5:1 e Gálatas 2:16. Isso ressoou como um poderoso trovão na mente do pastor Spener e, de repente, ele percebe que, além do Evangelho da Graça, existe ainda o Evangelho do Reino, e se não perseverarmos no desenvolvimento da nossa salvação, através de um esforço concreto de santificação e transformação em novas criaturas, não tomamos posse da herança de filhos de Deus, adquirida através da nossa fé em Cristo, pois voltamos à estaca zero a cada vez que caímos em tentação e cedemos à concupiscência da carne, à concupiscência dos olhos e à soberba da vida, descritas pelo apóstolo João (1 Jo 2:16).
Na realidade, a ortodoxia protestante, instaurada por Martinho Lutero, e a ortodoxia reformada de João Calvino, acabaram abolindo quase toda a atividade metódica e prática voltada à santificação na Igreja e, ao se dar conta disso, Spener criou, a partir de 1670, todo um conjunto de atividades voltadas ao desenvolvimento da santificação nos crentes, incluindo reuniões nas casas para estudos bíblicos e oração. Esse método tornou-se conhecido como Pietismo e inspirou, entre outros, ao próprio pastor John Wesley, na criação da Igreja Metodista.
Existe uma distinção entre o Pietismo eclesial e o Pietismo radical.
O Pietismo eclesial se entende como movimento de reformas dentro da igreja institucional constituída e tem por alvo atuar no sentido de uma restauração das práticas do cristianismo primitivo de Atos 2:42-47.
O Pietismo radical, por sua vez, acrescenta ainda uma forte crítica à igreja institucional constituída, na qual enxerga a figura simbolizada através da Meretriz da Babilônia, retratada por João em Apocalipse 17.
Finalmente, uma palavra sobre uma outra comunidade que vale a pena mencionar, conhecida como “Os Irmãos Morávios”, ou simplesmente “Moravianos”.
Os moravianos surgiram, na Alemanha do século 18, como um movimento de 24 horas de oração diária contínua, pela restauração e reavivamento da Igreja, que durou quase um século.
Os moravianos eram muito dedicados ao chamado do Senhor para a ação missionária, o “ide”, sendo que mais de 2150 membros de sua igreja foram enviados às mais remotas regiões do mundo como missionários. A ação missionária moraviana utilizou essencialmente pessoas simples e comuns, de coveiro a lavrador, de sapateiro a oleiro e até mesmo como escravo vendido, sendo que a concepção sobre missões jamais foi a mesma depois disso.
Entre os registros históricos dos moravianos, consta que alguns jovens, todos na faixa dos vinte anos de idade, ouviram falar sobre uma remota ilha, no Leste da Índia, onde trabalhavam cerca de três mil escravos africanos e cujo dono era um agricultor inglês e totalmente ateu. Pois bem, aqueles jovens fizeram contato com o dono da ilha, enviando uma carta na qual perguntavam se poderiam ir para lá como missionários. A resposta do dono da ilha foi imediata: -”Nenhum pregador e nenhum clérigo chegaria à sua ilha para falar sobre essa coisa sem sentido”. Então aqueles rapazes voltaram a orar e fizeram uma nova proposta ao rude ateu: -“E se nós fôssemos à sua ilha, como seus escravos, para sempre?”. Em uma curta resposta o homem disse que aceitaria, porém não pagaria nem mesmo o custo do transporte deles. Então os jovens usaram o valor de sua própria venda para custear sua viagem até o seu destino final, pois ali viriam a morrer todos eles.
No dia da partida para a ilha, as famílias moravianas reuniram-se no porto para se despedirem dos jovens. Houve orações choros e abraços, amigos e familiares puderam dar o último adeus para seus jovens irmãos que partiriam para sempre. Algumas outras pessoas ali presentes, ao saberem do que se tratava exclamavam atônitas: - “Mas, por que vocês estão fazendo isso? Vocês nunca mais irão ver seus familiares e amigos! Serão escravos para o resto de suas vidas”!
Mas então, quando o barco já estava se afastando do porto, dois jovens levantaram suas mãos e gritaram em voz alta: "Para que o Cordeiro, que foi imolado por nós, receba a recompensa por seu sacrifício, através das nossas vidas".
John Wesley foi também influenciado pelos morávios, com os quais conviveu durante uma longa viagem de navio e, assim como no caso do pietismo, incorporou algumas de suas preocupações ao movimento metodista.
A Igreja dos Irmãos Morávios continua ativa hoje (Moravian Church), mas assim como os metodistas, os pietistas, os valdenses e os anabatistas, todos acabaram sendo vencidos pela pressão do sistema religioso e tornaram-se igrejas institucionais, como tantas outras que surgiram e desapareceram nas cinzas do passado.
Como vimos, a História da Igreja é cheia de episódios marcantes, que mostram uma tradição de fidelidade e de compromisso com o Evangelho, que persevera e ressurge sempre, mesmo em circunstâncias muito adversas, onde a nossa própria vida esteja em jogo.
Mas para nós, cristãos que vivemos em plena pós-modernidade do século 21, que relevância poderá ter para nós a separação dos padres do deserto, ou aquilo que Pedro Valdo e seus seguidores começaram na Lyon medieval do século 12, ou ainda o esforço pietista de Jakob Spener e John Wesley?
Na realidade, o que eu quis mostrar aqui com tudo isso, e sinceramente espero ter conseguido, é que todas essas histórias de vidas marcadas pelo compromisso com a verdadeira Igreja de Jesus Cristo podem – e devem – servir de inspiração para todos aqueles que desejam ter um estilo de vida que seja coerente com a esperança que Jesus Cristo depositou em cada um de nós, guardando a palavra da sua perseverança.
Isso é fazer e praticar a igreja orgânica! 


sexta-feira, 4 de maio de 2012

COMO AGRADAR O SENHOR

Como Agradar ao Senhor Watchman Nee
Publicação: 24/06/2010


 "Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema. Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo".(Gálatas 1.6-10) "... pelo contrário, visto que fomos aprovados por Deus, a ponto de nos confiar ele o evangelho, assim falamos, não para que agrademos a homens, e sim a Deus, que prova o nosso coração"(1 Tessalonicenses 2.4) "É por isso que também nos esforçamos, quer presentes, quer ausentes, para lhe sermos agradáveis."(2 Coríntios 5.9) Uma Atitude Básica O verdadeiro servo de Deus possui uma atitude básica, que é agradar ao Senhor. Em Gálatas, Paulo declarou: "Porventura procuro eu agora o favor dos homens, ou o de Deus? ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo" (1.10). Quando Paulo disse isto, por um lado ele estava tão entristecido com o rápido desvio do evangelho de parte dos crentes, evangelho que tinham ouvido Paulo pregar, e por outro lado, ele solenemente expressou sua atitude para com o Senhor. Da primeira vez que foi à Galácia pregar o evangelho, disse ao povo que os homens são salvos pela graça do Senhor mediante a fé, e não pelo cumprimento da lei. Naqueles dias muitos creram no Senhor. Aqueles que creram também amaram a Paulo, e a tal ponto que estavam dispostos a dar-lhe seus próprios olhos (ver Gl 4.15). Mais tarde, vieram algumas pessoas e disseram aos gálatas que só fé e graça não eram suficientes, pois necessitariam da lei para aperfeiçoá-los (ver Gl 3.1-14). Por esse motivo, Paulo os advertiu mui seriamente: "Mas, ainda que nós, ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema" (Gl 1.8). Entretanto, os gálatas foram tão profundamente seduzidos por essa gente que não ficaram contentes com Paulo quando ele contendeu com toda seriedade pela verdade do evangelho. De modo que Paulo escreveu: "Procuro eu agora o favor dos homens, ou o de Deus? ... Estou-me tornando vosso inimigo ao dizer-vos a verdade?" (Gl 1.10, 4.16). Todos os que forem servos de Deus devem ter esta atitude básica de agradar ao Senhor. Se Paulo tivesse contemporizado somente um pouquinho e não tivesse levado o evangelho do Senhor tão a sério, se tivesse dito que deveras a salvação era por meio da fé, mas que também dependia das obras da lei, ele podia ter trocado a verdade pelo prazer e acolhimento dos gálatas. Não teria havido necessidade de ele pagar nenhum preço. Mas Paulo não podia sacrificar e não sacrificaria a verdade. Ele devia ser leal ao Senhor. Deixando de lado o favor dos homens, duramente os repreendeu: "Ó gálatas insensatos! Quem vos fascinou a vós outros, ante cujos olhos foi Jesus Cristo exposto como crucificado? ... De Cristo vos desligastes vós que procurais justificar-vos na lei, da graça decaístes" (Gl 3.1, 5.4). A atitude de Paulo deve também ser a de todo servo de Deus. Quem, então, são os servos de Deus? Muitos acham que somente os que pregam o evangelho e entregam a palavra da verdade são servos de Deus, e que o restante dos crentes não são servos dele. Examinemos o que nos diz a Bíblia. Ela nos diz que todos os filhos redimidos de Deus são seus servos: "Porque os filhos de Israel me são servos; meus servos são eles, os quais tirei da terra do Egito: Eu sou o Senhor vosso Deus"(Levítico 25.55). Esta passagem afirma claramente que, se a pessoa for israelita tirado da terra do Egito, é servo de Deus. Não somente Moisés nem somente Josué são servos de Deus, mas todos os filhos de Israel a quem Deus tirou da terra do Egito deviam ser seus servos. Se você é uma pessoa salva, um filho de Deus, você também é Seu servo. Nosso conhecimento do Senhor Jesus e de Seu sangue é duplo: O sangue do Senhor não somente nos purifica de nossos pecados, mas também nos compra para o Senhor. O Senhor Jesus não é somente nosso Salvador; é também nosso Senhor. É preciso que cada um de nós perceba que Jesus é nosso Senhor e que somos seus servos, pois ele comprou-nos com seu sangue. A fim de vivermos para ele, devemos compreender completamente a autoridade que o Senhor tem sobre nós. Aquele que já viu de verdade o amor da cruz tem em si mais ou menos um coração de amor para com o Senhor. Mas também deve ter uma expressão concreta agradar ao Senhor. A glória de Deus X A glória dos homens Por que é que alguns cristãos não podem agradar ao Senhor? Há um motivo principal para isto: amam mais a glória dos homens que a glória de Deus. João 12 diz-nos que muitos dos principais dos judeus criam em Jesus; mas por causa dos fariseus não o confessavam para que não fossem expulsos das sinagogas (Jo 12.42). Não ousavam ser cristãos declarados. O defeito deles estava em amar mais a glória dos homens do que a glória de Deus (Jo 12.43). Deixe-me perguntar: Temos a mesma propensão? Amamos mais a glória dos homens que a de Deus? Alguns cristãos não ousam confessar abertamente o nome do Senhor Jesus. Têm medo de confessar perante os homens que são cristãos. Não ousam agradecer as refeições em público. Até mesmo param com sua vida de oração e estudo. Param de ir às reuniões. Por quê? Amiúde é porque temem que as pessoas os ridicularizem, e os acusem de supersticiosos. Amam mais a glória dos homens do que a glória de Deus. Permita-me dizer que se você amasse realmente o Senhor, teria determinação firme de agradá-lo, e que se realmente quisesse agradar ao Senhor, jamais amaria mais a glória dos homens que a glória de Deus. O cristão que agrada ao Senhor e lhe é leal também deve ser fiel à verdade do Senhor. Para manter a verdade, Paulo não prestou atenção à oposição dos homens. Disse o apóstolo: "Tornei-me, porventura, vosso inimigo, por vos dizer a verdade?" (Gl 4.16). Ele preferia ser confrontado a comprometer a verdade. Preferia sacrificar a si mesmo a sacrificar a verdade. Preferia ele a perda própria a permitir que a verdade sofresse. No passado, inúmeros cristãos pagaram preços tremendos por agradar ao Senhor. Tinham o desejo de seguir a Bíblia em todas as coisas. Tudo que está na Bíblia eles aceitavam; o que não está na Bíblia rejeitavam. E por isso, pagaram um preço muito alto. É bem verdade que, se você for um tanto liberal acerca da verdade e baixar seu padrão, poderá escapar a muitos ataques e a muita zombaria. Mas fique certo que, se você se firmar na verdade, não poderá evitar a perseguição e não deve temer pagar o preço. Certa vez um irmão, ao perceber o significado do batismo nas Escrituras, desejou ser imerso. Mas seu pai não aprovou a decisão. O filho, então, experimentou uma grande luta interior. Seu dilema era que, se fosse imerso, magoaria o coração do pai; mas, se não fosse imerso, seria desleal à palavra do Senhor. Enquanto debatia em seu coração sobre o assunto, foi-lhe dada uma palavra pelo Senhor: "Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim" (Mateus 10.37). Aqui encontrou-se com o assunto do preço. Agradaria ao Senhor ou a seus pais? Graças a Deus, que o amor de Cristo o capturou de modo tal que finalmente foi batizado por imersão. A história deste irmão ilustra algo crítico: se desejar agradar ao Senhor, deve ser completamente obediente à verdade do Senhor. Tivesse Paulo em seus dias contemporizado, um pouquinho que fosse, com os crentes gálatas e não tivesse tomado a verdade com a seriedade que lhe é devida ou tivesse ele proferido palavras ambíguas, teria recebido o bem-vindo e a amizade dos gálatas. Mas ele já havia contado seu preço. Acontecesse o que acontecesse, ele não podia agradar os homens, mas sim a Deus; doutra forma, não podia ser servo do Senhor. Ele preferiria ser tomado como inimigo deles a não dizer a verdade. "Compra a verdade, e não a vendas; compra a sabedoria, a instrução, e o entendimento" (Provérbios 23.23). A verdade precisa ser comprada: requer o pagamento de um preço. Se deseja agradar ao Senhor e ficar do lado da verdade, você terá de pagar o preço. Se vir a verdade claramente, deve obedecer-lhe até o fim. Quão triste é que, por amor ao agradar aos homens e não estarem dispostos a pagar o preço, muitos cristãos têm feito desvios concernentes à verdade. Porém a verdade só pode ser comprada; nunca está em liquidação. A verdade não permite nenhuma mudança. É como a coluna de uma casa (comparar com Apocalipse 3.12). A coluna não é como uma janela ou uma porta que podem ser alteradas no tamanho e dimensão. É imóvel; não pode ser esticada ou encurtada à vontade. Em outras palavras, a verdade é absolutamente imutável. No caso de não sermos capazes de pagar o preço e de obedecermos a alguma verdade, então julguemos a nós mesmos confessando nossas fraquezas. Não podemos rebaixar a verdade por causa de nossa incapacidade de cumpri-la ou porque nos afetará demasiadamente. Doutra forma, incorreremos em conseqüências sérias perante Deus. Ora, já vimos pelas Escrituras que todos os filhos de Deus são seus servos. Além disso, a palavra do Filho de Deus informa-nos que o servo não é maior que seu Senhor (João 15.20). A estrada que nosso Senhor palmilhou na terra é a estrada que também devemos palmilhar. O que ele recebeu na terra deve também ser o que receberemos. Se confessarmos-nos servos do Senhor, deveremos ter como atitude fundamental o querer agradar ao Senhor. Se este assunto não for resolvido, mais cedo ou mais tarde desistiremos do curso que nos foi proposto. Pessoas incontáveis têm-se desviado deste caminho porque amaram mais a glória dos homens que a glória de Deus. Oh, quão profundamente arraigado em nós está este assunto da glória dos homens. Somente depois de muito lidar e muito aprender pode ele ser removido da medula de nossas almas. Desde o dia que o homem comeu o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, a glória dos homens tornou-se um problema básico na alma do homem. Cada um de nós tem seu próprio trono, e esse trono é construído sobre a glória dos homens. Mas se desejamos ser servos fiéis do Senhor, devemos descer de nossos tronos. Doutra forma, não seremos capazes de servir a nosso Senhor. Hebreus 12.2 nos diz que nosso Senhor Jesus suportou a cruz, desprezando a vergonha. Ele de boa vontade escolheu a cruz. E a cruz não é somente a morte, é também vergonha. Se você já foi realmente quebrantado pela cruz, haverá para você uma experiência clara de ter desprezado a vergonha. O fracasso de muitos cristãos é causado pelo medo da vergonha. Por causa do amor à glória dos homens não estão dispostos a deixar seus próprios tronos. Não pense que nascemos com humildade e gentileza. Não compreendemos quão orgulhosos somos. Quem sabe o quanto a graça de Deus precisa operar em nós antes de descermos de nossos tronos e sermos libertos do engodo da glória dos homens! Possa Deus ser-nos gracioso e dar-nos um coração que agrade ao Senhor e que por sua graça possamos ser servos fiéis. Que possamos antecipar aquele dia quando todos nós daremos contas no julgamento de Cristo e que possamos ouvi-lo dizer: "Muito bem, servo bom e fiel" (Mateus 25.21). 


 [Extraído do livro A QUEM ENVIAREI?, págs.47-57
É permitido baixar este arquivo, copiar, imprimir e distribuir este material, desde que explicite a autoria do mesmo.]
CelebrandoDeus.com "Um compromisso com a Excelência do Corpo de Cristo"

segunda-feira, 30 de abril de 2012

UM NOVO MODISMO, OU O RETORNO ÀS PRÁTICAS PRIMITIVAS DA IGREJA?



Até o início do quarto século com a ascensão ao trono romano do imperador Constantino (312 a 337 d/C), a Igreja cristã reunia-se exclusivamente nas casas de seus membros. A adoção de um templo para reunião de cristãos foi uma invenção megalomaníaca de Constantino, posterior ao início do quarto século. Veja o que dizem três dos mais credenciados historiadores eclesiológicos da atualidade:

Em Historical Approach to Evangelical Worship (Uma Abordagem Histórica da Adoração Evangélica), página 103 e em History of the Christian Church (História da Igreja Cristã): Volume 3, página 542, SCHAFF escreve: “Depois da cristandade ser reconhecida pelo estado e autorizada a ter propriedades (pós-Constantino), ela passou a erigir templos de adoração em todas as partes do Império Romano. Provavelmente havia mais edifícios deste tipo no século IV do que houve em qualquer período da história, exceto talvez, no século XIX nos Estados Unidos...”. Em To Preach or Not to Preach? (Com ou Sem Propósitos de Oração), página 29, NORRINGTON diz que: "Na medida em que os Bispos dos séculos IV e V cresciam em riqueza, eles canalizaram tais riquezas através de um elaborado programa de construção de templos de Igrejas". Em Early Christians Speak (O Falar dos cristãos Modernos), página 74, FERGUSON afirma que: "Até a ascensão de Constantino não encontramos nenhum edifício especialmente construído para a reunião da igreja, ela se reunia em casas simples ou casas adaptadas; após a ascensão de Constantino, as construções começaram: primeiro simples salões, depois basílicas e finalmente grandes catedrais foram erigidas".

Existem na Bíblia um grande número de versículos que mostram claramente a igreja se reunindo na casa de um de seus membros, e nenhuma só referência a uma reunião da Igreja acontecendo num templo, numa sinagoga ou em algum outro local especialmente construído para esta finalidade.

Veja por exemplo os dois primeiros versículos da carta escrita por Paulo ao seu cooperador Filemon, está claramente escrito que a Igreja se reunia na casa deste irmão. Igualmente, em Colossenses 4:15, Paulo manda uma saudação à irmã Ninfa, em cuja casa se hospedava a Igreja de Laodicéia.

Os exegetas nos contam que a carta que Paulo escreveu aos Romanos, ele a escreveu enquanto estava na cidade de Corinto e por isto, em Romanos 16:23, ele envia aos irmãos de Roma uma saudação do irmão Gaio, que além de o estar hospedando naquela data, também era o hospedeiro de toda a Igreja de Corinto. Devido a este fato é que falando aos irmãos em 1Coríntios 14:23, ele traz uma direção de como proceder, quando a Igreja toda estivesse reunida no mesmo lugar (neste caso, a casa do irmão Gaio).

Preste bastante atenção em cada palavra dos seguintes textos bíblicos: Atos 12:2; Atos 21:8-14; Atos 16:40; Atos 20:17-20 e Tito 1:7-11. Porque você acha que em todos estes textos, associados à casa dos irmãos, há pessoas: congregadas, orando, profetizando, confortando uns aos outros e ensinando? Logicamente, por se tratar das atividades cotidianas da Igreja, que se reunia, exatamente nestas casas mencionadas.

O casal Áquila e Priscila sempre cooperaram com o ministério de Paulo, e também eram missionários que migravam levando o evangelho. A Bíblia menciona por duas vezes que em cidades diferentes, onde eles se encontravam, eles hospedavam a Igreja do local em suas casas. Confira isto lendo: 1Coríntios 16:19 e Romanos 16:3-5.

Um caso muito especial é o caso de Jerusalém, uma das metrópoles da época. A Bíblia diz que em Jerusalém os cristãos primitivos partiam o pão (a principal reunião da Igreja) de casa em casa (Atos 2:46), eles também ensinavam (outra importante reunião da Igreja) de casa em casa (Atos 5:42). Quando Saulo começou a perseguir esta igreja, com o propósito de prender os cristãos (Atos 8:3), ele entrava de casa em casa (porque era aí que os cristãos se reuniam). Os historiadores mencionados no início do estudo, nos contam que Jerusalém, durante o primeiro século, teve centenas de casas onde os cristãos se reuniam. Nestes dois primeiros textos, também é mencionado que os cristãos iam ao templo Judaico. Será que eles iam lá para a reunião da Igreja? Lógico que não! Você acha que os Sacerdotes que os ameaçavam (Atos 4:15-21), os espancavam (Atos 5:40) e os levavam para o cárcere (Atos 4:1-3 e Atos 5:17-18) por ensinar no nome de Jesus; iam ceder o templo Judaico para a reunião da Igreja? É irracional pensar desta forma. Eles se reuniam apenas no Pórtico de Salomão (Atos 5:12), que era uma parte do átrio exterior do templo. Esta parte era aberta também aos gentios e um local de frequentes debates e muito comércio (Mateus 21:12). Os Apóstolos iam lá com propósitos evangelísticos, conforme a Bíblia nos mostra (Atos 2: 40-41 e Atos 4:4). Que em Jerusalém os cristão se reuniam de casa em casa (isto é nas casas de seus próprios membros) é um fato bíblico e históricamente comprovado.

Outro caso muito interessante refere-se a outra metrópole da época que era Roma. O apóstolo Paulo ao escrever sua carta aos cristãos daquela cidade, saúda nominalmente um primeiro grupo: “Áquila, Priscila bem como à Igreja que se reunia na casa deles” (Romanos 16:3-5). Ele também saúda nominalmente um segundo grupo: “Asíncrito, Flegonte, Hermes, Pátrobas, Hermas e os irmãos que se reúnem com eles” (Romanos 16:14). E saúda ainda nominalmente um terceiro grupo: “Filólogo, Júlia, Nereu e sua irmã, Olimpas e todos os santos que se reúnem com eles” (Romanos 16:15). Vemos que existiam em Roma, pelo menos três grupos distintos de cristãos (que se reuniam em casas também distintas) por ocasião desta carta. O mais interessante é que quando Paulo chega em Roma, ele não começa a se reunir em nenhum dos locais já existentes. Ele começa um quarto grupo em uma casa que ele mesmo alugara (Atos 28:30-31). Porque isto? Será que Paulo não se dava bem com os outros três grupos de cristãos? Amados devemos entender que casas são geralmente pequenas (comportando um grupo pequeno de cristãos), e quando Paulo chegou em Roma provavelmente as outras três casas, onde os cristãos se reuniam, já estavam no limite máximo de pessoas; assim ele normalmente começou um quarto local para reunião de cristãos em sua própria casa.

Uma última explicação necessária, refere-se ao texto de Atos 20:8 onde é mencionado que os irmãos estão reunidos num cenáculo. Muitos por desconhecerem o grego, confundem um cenáculo com um templo, sinagoga ou algum outro tipo de “local mais próprio para reuniões, do que uma casa”. A palavra grega para cenáculo é “huperoon”, e significa simplesmente uma casa maior com um segundo pavimento. Veja isto claramente mostrado nos textos de Atos 1:13 (onde os cristãos estão reunidos num cenáculo, à espera do Espírito Santo) e Atos 2:2 (onde o Espírito Santo ao ser derramado enche toda a casa onde eles ainda continuavam reunidos e esperando por Ele). O cenáculo mencionado é apenas uma casa grande, com um pavimento superior (comum aos mais ricos da época).

Visando refutar esta lógica bíblica de clareza impressionante, alguns teólogos modernos, com o propósito de defender e sustentar o “denominacionalismo” tem feito três afirmações, que passaremos a analisar à seguir:

Primeiramente afirmam que a Igreja realmente começou reunindo-se nas casas de seus membros; mas que isto se deu exclusivamente por causa da perseguição imposta sobre ela; que isto durou poucos anos e que as casas e as catacumbas foram apenas locais provisórios de reunião visando fugir da perseguição. Tanto a Bíblia quanto a história desmentem estes argumentos. Lucas disse em Atos 9:31, que: “A igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria, edificando-se e caminhando no temor do Senhor, e, no conforto do Espírito Santo, crescia em número”. Interessante notar que durante todo este período de paz, a Igreja está se reunindo nas casas de seus membros (logo o motivo de reunir-se em casas não foi a perseguição). A história também nos mostra que em termos cronológicos, a perseguição foi esporádica nos primeiros séculos e não algo permanente. Durante as perseguições, realmente os cristãos se refugiavam nas catacumbas, mas tão logo amainavam as perseguições, a Igreja voltava a se reunir no ambiente determinado pelo Espírito Santo, ou seja as casas dos irmãos, que a constituíam.

Seu segundo argumento é que tanto Jesus, quanto os apóstolos primitivos apoiavam a “reunião numa sinagora”, visto que falavam e participavam de reuniões em tais lugares. Dizem eles que o moderno templo (seja católico ou evangélico), é algo derivado da sinagora, e que sendo assim, o fato de Jesus e os apóstolos tê-los freqüentado, credencia os templos atuais, como locais de reunião da Igreja. Eles se esquecem que os Judeus haviam determinado, conforme vemos em João 9:22 e João 12:42 que se alguém se tornasse cristão, deveria ser expulso das sinagogas. Sinagora, é lugar de reunião de Judeus não de cristãos. Jesus e os apóstolos primitivos eram Judeus, por isto participavam das reuniões dos Judeus. Da mesma forma, que com relação ao templo de Jerusalém, os cristãos primitivos iam às sinagogas com propósito evangelístico como vemos em Atos 14:1 e Atos 18:4. Não existe menção de uma só “reunião da Igreja” acontecendo numa sinagora. Sinagora e templo são culturas cultura judaicas ou pagãs, não fazem parte da Igreja e do cristianismo primitivo. Por entrarem lá os cristãos primitivos não os estavam avalizando (como local para reunião da Igreja), e sim os utilizando com propósitos específicos (1Coríntios 9:20-23).

Um terceiro argumento destes teólogos modernos, é que o significado da palavra grega da qual veio nosso vocábulo Igreja, seria “os chamados para fora de suas casas”. Isto soa forte e impressiona, devido a não temos conhecimento do grego. Assim engolimos tal afirmação, como sendo um forte argumento. Entretanto o vocábulo grego “ekklesia”, do qual veio nossa palavra “Igreja”, é composto de duas outras palavras, “ek + kaleim”. A palavra “Kaleim” significa simplesmente “chamados” e o prefixo “ek” significa “para fora”. Então o significado de Igreja é “os chamados para fora”. A palavra grega para casa é “oikos”, e não está presente no vocábulo Eklesia (Igreja). Porque então traduzir Igreja como “os chamados para fora de suas casas”? Se queremos aclarar a explicação do vocábulo, não seria mais lógico e bíblico dizer que a Igreja é o conjunto dos “chamados para fora”, do sistema mundano e carnal criado e mantido pelo diabo. Assim sendo, preferimos ficar com aquilo que a bíblia diz, pois tememos acrescentar algo à Palavra de Deus (Apocalipse 22:18).

Os versículos e argumentos acima são mais que suficientes para provar a qualquer cristão sincero, que não há comprovação bíblica e nem histórica (pelo menos até o início do quarto século) para reuniões da Igreja em nenhum tipo de lugar que não sejam as próprias casas de seus membros! Seria tão estranho para os cristãos primitivos se reunirem em templos, como é estranho para alguns cristãos atuais reunirem-se em casas.

Más reunindo-se em tantos locais (casas) diferentes, em uma mesma cidade, isto não irá produzir grande divisão entre os cristãos, quebrando assim a unidade da Igreja na cidade?

Tanto a Bíblia quanto a história desmentem este conceito, Reunir-se em várias casas (e nelas partir o pão), foi a realidade da Igreja Primitiva, e nunca a dividiu. A Mesa (princípio de comunhão) continuou única, apesar de estar presente em vários locais. O que divide não são os muitos locais de reunião e sim algumas atitudes do coração de quem está se reunindo. Veja isto: Marcos 7:21-23 - 1Coríntios 3:3-6 - Gálatas 2:6-10 - 1João 1:1-3.

Quando nos recusamos a ter comunhão (um anti-tipo da Mesa) com irmãos genuinamente salvos, aí sim estamos dividindo o Corpo de Cristo. Aquele que Cristo aceitou, tem comigo unidade de espírito, porque eu também fui aceito por Ele. Ainda que não tenhamos chegado à unidade de fé, podemos ter comunhão. Veja isto em Efésios 4: 3-16. Esta postura realmente divisiva, é vista claramente na conduta do Presbítero Diótrefes (3João 9-11); que desejando ter a primazia (proeminência) entre os demais presbíteros, agia de maneira arbitrária e intransigente, se recusando a receber na comunhão outros irmãos cujo pensamento diferia do dele (incluindo entre estes o próprio apóstolo João); tentando impedir os demais irmãos da Igreja de recebê-los e chegando até mesmo a ameaçá-los com a expulsão da igreja.

Finalizo esta reflexão com uma última pergunta. Se ao construir sua casa material (o tabernáculo judaico), Deus deu um projeto preciso a Moisés e não permitiu nenhum acréscimo a este projeto original (Êxodo 25:9), será que na construção da sua casa espiritual, que é a Igreja (1Pedro 2:5), Deus permitiria tais acréscimos?

A pergunta correta não é porque nos reunirmos de casa em casa, já que isto faz parte do projeto original de Deus, para sua Igreja. A pergunta correta a ser feita é, onde obtivemos permissão para nos reunirmos de forma contrária ao projeto original. Se negligenciarmos este ponto fundamental da reunião da Igreja, a negligência em outros pontos também virá, será apenas uma questão de tempo (Lucas 16:10)!

TREVAS EXTERIORES



TREVAS EXTERIORES
Como escapar delas

A bíblia nos diz que existem mistérios e verdades reveladas: Dt 29:29. Este assunto apesar de desconhecido da maioria dos cristãos, pode ser encarado como uma doutrina revelada: (Dt 19:15 - Mt 18:16 - 2Co 13:1), visto termos mais de três referências bíblicas à respeito do mesmo.

1.   TREVAS EXTERIORES:

SOMENTE O EVANGELHO DE MATEUS AS MENCIONA

A expressão “Reino dos Céus”, aparece 31 vezes na Bíblia, e todas elas no evangelho de Mateus. Especificamente no texto de Mt 24:14, este evangelho é intitulado de “O evangelho do Reino”. Creio que só Mateus menciona as trevas exteriores por tratar-se de um acontecimento que se dará paralelo ao estabelecimento do Reino dos Céus.

Skotos: Privado da luz   -   Exoteros: Privado da comunhão
Klauthmus: Lamento profundo  -  Brugmos: Intensa agonia

Pelo significado das expressões acima, parece referir-se a um lugar espiritual, onde as pessoas estarão privadas da luz e da comunhão com Deus, lá haverá algum tipo de sofrimento que produzirá agonia e um lamento profundo, na vida dos que lá forem lançados, conforme veremos a seguir.

2.   QUATRO CIRCUNSTÂNCIAS COTIDIANAS:

a.    UM IRMÃO QUE NÃO PERDOA: Mt 5: 20-26
Quebra a natureza da Vida: Mt 18: 23-35
COROA DA FRATERNIDADE: Ap 3:11

Quando um irmão não perdoa o outro, ele está quebrando a própria natureza da vida cristã. Agindo assim ele está abrindo mão da Coroa da fraternidade prometida à  Igreja de Filadélfia (cujo significado aponta para este amor fraternal).

PERIGO: NÃO PERDOAR OFENSAS!

a.    UM HOMEM DE GRANDE FÉ: Mt 8: 10-13
Quebra a natureza da Fé: Heb 10: 35-39
COROA DA JUSTIÇA: 2Tm 4: 6-8

Quando um cristão que recebeu a fé no coração, mas devido à dificuldades desiste de continuar caminhando (DESVIADO), ele está negando a própria natureza da fé. Agindo assim ele está abrindo mão da Coroa da Justiça, prometida pelo Senhor aos que perseveram até a sua vinda.

PERIGO: DESISTIR NO MEIO DO CAMINHO!

b.    O AMIGO SEM VESTES NUPCIAIS: Mt 22: 11-14
Quebra a natureza do Caminhar: Gl 6: 7-9
COROA INCORRUPTÍVEL: 1Co 9: 24-27

Quando um cristão que recebeu uma nova natureza, se recusa a caminhar por ela, ele está quebrando a própria natureza do caminhar cristão (ESPIRITUAL). Investindo na carne, ele colherá corrupção, abrindo assim mão da coroa incorruptível.

PERIGO: CAMINHAR DE FORMA CARNAL!

c.    SERVO ENTERROU O TALENTO: Mt 25: 24-30
Quebra a natureza da Edificação: 1Co 3: 8-15
COROA DE GLÓRIA: 1Pe 5: 2-4

Quando alguém é salvo, recebe pelo menos um talento, visando a edificação do “Corpo de Cristo”. Se por qualquer motivo ele enterra o seu talento, está quebrando a natureza desta edificação (o corpo é edificado pelo exercício de todos os seus membros), abrindo assim mão da coroa de glória.

PERIGO: ENTERRAR O TALENTO!

1.   UMA ILUSTRAÇÃO ESCLARECEDORA:

MUITOS OU POUCOS AÇOITES: Lc 12:46-48
O DANO DA SEGUNDA MORTE: Ap 2:11 - Ap 21:8

Açoites, sendo eles literais ou espirituais, claramente não serão coisas boas. O dano da segunda morte, apesar de não ser a segunda morte, certamente não vai ser algo bom.

Imagine duas crianças desejando participar de uma grande festa a realizar-se à noite em seu condomínio. Como os dois farão prova de final de ano no dia seguinte, o Pai condiciona a participação na festa a um dia de intensos estudos, visando preparar-se para a prova.
Uma das crianças leva a sério e se prepara corretamente, ao passo que a outra passa o dia despreocupadamente.
Ao retornar do serviço à tarde, o Pai constata as duas realidades distintas, permitindo que o filho estudioso vá participar da festa, enquanto o malandro deve retirar-se aos seus aposentos para passar a noite estudando.
Da janela de seus aposentos o filho malandro, pode ver tudo o que se passa no pátio do condomínio (uma festa com tudo o que uma criança sonha). Ele pode ver, mas pelo seu proceder relaxado ele está impossibilitado de participar da festa. Que sofrimento tal visão iria produzir nele?
Que lamento irá sair de nosso coração? Quantas lágrimas correrão de nossos olhos se pudermos ver o Reino de Deus (Jo 3:3), mas devido a um procedimento relaxado não pudermos participar deste Reino de Deus (Jo 3:5). 
http://www.irmaosemsamonte.com.br/portal/estudos.html

domingo, 22 de abril de 2012

http://antipasbrasil.blogspot.com.br/2011/03/deixe-meu-povo-ir-cap-4.html#more




ONDE DEUS MORA
O Senhor nosso Deus não mora em uma casa construída por mãos humanas. Isso está muito claro em Sua Palavra, onde lemos: "O Deus, que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo Ele Senhor do céu e da Terra, não habita em santuários feitos por mãos de homens" (At 17:24). Claro que muitos crentes com­preendem que isso significa que Deus não reside em algum tipo de templo ou catedral de construção terrena.

Não importa o quanto sejam ornamentados, bonitos ou ela­borados, Deus não é atraído por templos terrenos e não mora neles. Embora algumas pessoas admirem construções religiosas extravagantes e confundam esse sentimento da alma com uma bênção espiritual, a verdade é que Deus não mora e nem nunca irá morar em algum tipo de edifício físico. Muito menos, Ele habita em uma caixinha dourada na frente da catedral, ou em qualquer tipo de imagens, sejam elas feitas de porcelana, plásti­co, madeira ou metais preciosos. A maioria dos crentes ver­dadeiros de hoje compreendem essa verdade.
Mas o que muitos falham em perceber é que Deus também não vive em organizações humanas. Estou querendo dizer com isso que Ele não habita em grupos cristãos que se tenham forma­dos por esforços meramente humanos. Esse é um ponto que talvez seja muito difícil para alguns compreenderem. Embora amaioria saiba que Deus não mora em uma casa de tijolos ou pedras, muitos têm um conceito fortemente arraigado de que Ele, na verdade, mora em qualquer grupo cristão que se intitula "igreja". Nós facilmente imaginamos que Deus vive em nossa organização particular.
Contudo, à medida que recebemos uma revelação celestial, começamos a compreender que a casa de Deus é viva. Não é uma estrutura estática, mas algo que é cheio de Sua Vida. O corpo de Cristo - o lugar onde Ele realmente vive - é um orga­nismo vivo. Não é uma organização. Tal residência viva não é um produto do esforço ou da vontade humana. Não é algo que o homem possa criar sozinho. É resultado de Sua Vida sobrena­tural. É algo que cresce e toma a forma que Ele deseja como resultado de Sua própria Vida eterna.
Portanto, podemos facilmente entender que nosso Senhor não irá morar em qualquer grupo cristão, a menos que este seja um produto de Sua própria Vida. Não é suficiente que a nossa igreja seja "bíblica". Não é o bastante que um grupo cristão pareça se conformar aos padrões do Novo Testamento. Só o que O atrai é a Sua Noiva viva (o Seu corpo) com a qual Ele deseja viver por toda a eternidade. Somente aquilo que é produto de Sua Vida sobrenatural servirá para ser a Sua habitação.
Ao começarmos a ver com mais clareza a casa de Deus, somos levados a concluir que, se o nosso grupo é resultado de capacidade humana, Deus não irá morar nele. Se nossa igreja é o resultado da habilidade organizacional, do esforço terreno, da liderança especial (não importa o quanto ela possa ser carismáti­ca), do talento administrativo ou de atrações populares, ela real­mente não é a casa de Deus.
Simplesmente colocar o nome "igreja" em nosso grupo não irá qualificá-lo para ser a habitação eterna de Deus. Simples­mente organizar algo que parece ser bom e "religioso," do ponto de vista humano, não garante Sua aprovação. Qualquer coisa que seja feita por mãos humanas não se adapta para ser o lugar da morada de Deus.
OS BLOCOS FUNDAMENTAIS DA CONSTRUÇÃO
Os materiais, os blocos fundamentais para a construção da casa de Deus, são individuais e não grupais. Ele habita pessoal­mente em homens e mulheres, individualmente. Nós lemos que nós somos o templo do Deus vivo e que Ele irá morar em nós (2 Co 6:16). Também lemos que nossos corpos são o templo doEspírito Santo (1 Co 6:19). Desta forma, homens e mulheres, individualmente, são os matérias da casa de Deus.
Portanto, para que a casa de Deus seja edificada, os crentes, que são esta casa, precisam deixar que a Vida de Deus cresça neles. É necessário que eles amadureçam e se tornem aquilo que Deus deseja que eles sejam. Este crescimento individual de cada membro é o que faz com que Sua casa seja edificada. Não é sufi­ciente juntar um grande número de pessoas, mas o crescimento dos indivíduos faz com que o todo funcione em plenitude.
Vamos analisar um pouco melhor este pensamento. Se nós desejarmos construir a casa de Deus, precisamos concentrar nosso trabalho nos matérias, os blocos básicos, que são os indi­víduos. Precisamos centralizar nossos esforços em ajudar cada pessoa a crescer em Cristo. Precisamos aprender como ministrarCristo uns aos outros, de modo que eles possam amadurecer espiritualmente. Deste modo, a casa de Deus será edificada.
Se desejarmos construir o templo do Espírito Santo, só há um modo de fazê-lo. Precisamos encher-nos com a Vida sobre­natural de Deus diariamente. Precisamos cultivar uma intimi­dade com Jesus, comendo e bebendo Dele, para nos enchermos daquilo que Ele é. Após nos enchermos, podemos "ministrar" ou compartilhar esta Vida com outros crentes (ou mesmo com os ímpios) com os quais temos contato. Ao compartilharmos Jesus com os outros, eles também irão crescer até à Sua estatura.
Isso nem sempre tem acontecido hoje. Muitos estão traba­lhando para formar algum tipo de grupo. Seu foco é a aparência do conjunto total. Eles estão tentando montar um tipo de estru­tura na qual os crentes se ajustem. Estão organizando, adminis­trando, planejando e fazendo. Estão ocupados construindo a sustentação da obra, da maneira como eles pensam que a igreja deveria ser. Estão trabalhando para manter um grupo unido, o que para eles parece ser "uma igreja".
Mas, muito desse esforço não faz com que os membros cresçam em Vida. Muito freqüentemente, uma coleção de indiví­duos assim é exatamente isto: um grupo de crentes cujas vidas não são realmente transformadas à imagem de Cristo. Geralmente muitos desses crentes são mantidos por uma estru­tura que alguém fez e não estão realmente crescendo espiritual­mente. Conseqüentemente, o grupo não se torna um lugar onde a presença de Deus vem e faz morada.
Já que Deus mora em indivíduos cristãos, quando estão jun­tos, há uma manifestação da Sua presença. Mas esta manifes­tação - o poder de Sua presença - é inteiramente dependente do grau de intimidade de cada indivíduo com Ele. Quanto maior for o espaço dado a Ele por cada um em sua vida, mais podero­samente Ele será expresso no grupo e por meio do grupo. Quanto mais maturidade espiritual e mais amor por Jesus tiver cada membro, mais o grupo será realmente o Seu templo.
A ênfase dos ensinamentos de Jesus, e do Novo Testamento em geral, é nos materiais individuais, os blocos de construção, por assim dizer, e não na aparência do conjunto. Não é desejo de Deus simplesmente juntar um número impressionante de crentes. Não faz parte de Seus planos que a igreja seja um tipo de organização bem sucedida. Ele não é atraído por isto.
Seremos coletivamente o Seu lar, somente à medida que cada membro do corpo se abra para ser Sua habitação indivi­dualmente. Seu desejo é que cada um de nós seja santificado, transformado e esteja pronto para recebê-Lo como morador, para que Ele possa Se mover por meio de nós.
Talvez uma analogia possa ajudar aqui. Vamos supor que uma pessoa muito rica tenha contratado um construtor para lhe fazer uma casa de blocos de granito. Vamos imaginar que o construtor tenha empregado outros materiais no lugar do granito. Ele queria construir mais rapidamente e de maneira mais barata. Então, usou tábuas e madeira compensada e, para que parecesse granito, ele prendeu um tipo de chapa plástica no exterior, muito parecida com a rocha genuína. É até possível que, no final, ele tenha conseguido chegar a algo que se asseme­lhava ao plano original.
Quando o dono da casa chegar para ver o trabalho, ele se agradará do resultado? Ficará satisfeito com a obra? Ou ele se recusará a morar em uma casa feita com materiais inferiores e mais baratos? Não há dúvida de que ele não pagará pela obra e não se mudará para essa casa de imitação.
Quanto menos irá o Deus do Universo morar em algo que não é feito com os materiais corretos e que não foi construído de acordo com os Seus planos. Nesse caso, assim como é com a Igreja, o material individual é que é essencial, não simplesmente a aparência do conjunto.
Esta distinção é muito importante. Se formos colaborar com Deus construindo a Sua casa, precisamos compreender como é o lugar em que Ele vive. Ele não vive em organizações cristãs que foram formadas por esforços humanos, e que, por meio de métodos terrenos, mantêm seus membros agregados.
Todavia, nós muitas vezes encontramos servos de Deus bemintencionados, trabalhando para conseguir agregar um grande número de crentes, debaixo do mesmo teto. Eles estão usando sua personalidade e talentos para agrupar as pessoas em volta deles ou de seus ministérios, supondo que ali seja a casa de Deus.
Muitas pessoas hoje comentam sobre maneiras de fazer "a igreja delas" crescer. A idéia principal parece ser a de conseguir aumentar o número de pessoas que assistem aos cultos. Vários métodos estão sendo empregados com esse intuito, incluindo novos edifícios, novos programas e projetos, ênfase em alguns dons, experiências etc. Mas simplesmente aumentar o número de membros nada faz para construir a casa de Deus a não ser que esse aumento seja de ímpios que verdadeiramente tenham nascido de novo. A casa de Deus não é construída pelo cresci­mento meramente numérico. Construir uma organização reli­giosa não é a mesma coisa que construir o templo do Deus vivo.
A idéia de Deus não é construir um grupo, mas sim edificar cada homem e cada mulher que formam os grupos. Sua intenção é que nós edifiquemos uns aos outros. É assim que iremos nos ajudar a crescer espiritualmente. À medida que crescemos, damos mais "espaço" para Ele viver e Se mover dentro de nós eatravés de nós. À medida que nos edificamos uns aos outros na fé santíssima (Jd 1:20), estamos construindo o lugar de residên­cia de Deus. Essa é a nossa tarefa. Jesus nos instruiu a ir e a fazer discípulos. Isto significa auxiliar outros a virem para Jesus e a se submeterem a Ele. É o próprio Deus, então, que toma esses"materiais" e os ajunta conforme Sua vontade (1 Co 12:18).
A manifestação de Sua presença em qualquer reunião de crentes depende dos corações dos indivíduos que ali estão reunidos. Não tem nada a ver com o bom funcionamento da organização. Não depende do número de pessoas presentes. Deus não é atraído por nossos programas, projetos ou "ministérios".Então, o que estamos construindo? Se Sua presença é atraída por homens e mulheres abertos a Ele, e não por nossa superestrutura, onde deveríamos estar investindo nosso tempo?
Agora, alguns podem argüir: "Mas a Bíblia diz que onde dois ou três se reunirem em nome dele, Ele aí estará no meio deles". Sim, Jesus visita nossos encontros. Mas, quero repetir, a intensidade de Sua presença vai estar diretamente relacionada com a abertura dos corações das pessoas envolvidas. Quando os corações das pessoas presentes estiverem fechados, elas não poderão sentir a Sua presença.
A visitação de Deus não depende da posição doutrinal do grupo. E nem está baseada em aparência exterior ou qualquer outro fator superficial. Deus olha para os corações dos indivídu­os. Além disso, a qualidade do ministério que recebemos Dele e a profundidade de nossas experiências em tais circunstânciascoletivas estão diretamente relacionadas com a fome espiritual e a abertura daqueles que estão envolvidos. Tudo isso é para dizer que a experiência espiritual do grupo depende dos indivíduos nos quais a obra de Deus está sendo feita.


DEUS NUNCA NOS DISSE  PARA ORGANIZARMOS GRUPOS
Em nenhum lugar no Novo Testamento, somos instruídos a tentar edificar um tipo de grupo, de igreja ou de organização religiosa. Isso é muito importante. Nunca nos falaram para ten­tar ajuntar um grande número de crentes e organizá-los em algum tipo de grupo. Nunca fomos ensinados que deveríamosconstruir "uma" igreja. Nunca fomos exortados a formar algu­ma organização cristã.
É nosso trabalho, sendo dirigidos pelo Espírito Santo, nos edificarmos uns aos outros. Essa é a nossa parte da obra. Então é trabalho do próprio Deus nos colocar juntos. Essa união não é um trabalho que o homem possa fazer, nem uma obra que tenhamos sido instruídos a realizar. Uma leitura cuidadosa do livro deEfésios ajudará o leitor a ver isto mais claramente. Foi Deus quem "nos ressuscitou" e "nos fez sentar juntamente com Ele nos lugares celestiais" (Ef 2:6).
Jesus disse explicitamente: "Eu edificarei a minha igreja" (Mt 16:18). Lemos que "o Senhor lhes acrescentava diariamente os que iam sendo salvos" (At 2:47-NVI). Foi o próprio Deus quem colocou junto esse grupo. Os primeiros cristãos não tra­balhavam para convencer as pessoas a se juntar ao seu grupo, mas para apresentá-las a Cristo. Eles não estavam tentando for­mar um novo tipo de sociedade, mas sim viver pelo Espírito Santo e compartilhar Jesus com o mundo. A Igreja ou as igrejas que surgiram foram um resultado espontâneo da ministração de Jesus. Elas eram o fruto automático da pregação do Evangelho.Esses resultados não foram conseguidos por crentes tentando organizar grupos, mas um produto da Vida de Jesus sendo vivi­da entre eles.
Lemos em Zacarias 6:12,13, que o trabalho do Filho de Deus é edificar o templo do Senhor. Ali lemos: "Assim diz o Senhor dos Exércitos: Eis aqui o homem cujo nome é Renovo; Ele bro­tará do seu lugar e edificará o templo do Senhor. Ele mesmo edificará o templo do Senhor e será revestido de glória, assentar-se-á no Seu trono e dominará e será sacerdote no Seu Trono..."
Deus também diz: "O céu é o meu trono, e a terra, o escabelo dos meus pés, que casa me edificareis vós?" (Is 66:1). A resposta é que não existe casa que possamos edificar para Ele. Nada que possamos construir irá agradá-Lo. Nenhuma de nos­sas organizações humanas e terrenas funcionará. Não importa oque possamos construir, não importa o quanto seja bom ou quão bíblico possa parecer, não podemos, nunca, construir algo onde Deus possa morar. Somente Ele pode fazer isto.
Não podemos construir a casa de Deus. O melhor que podemos fazer é trabalhar em colaboração com Ele. Esta coope­ração é feita quando ajudamos a preparar os materiais. É Ele, então, quem os coloca juntos, da maneira como Lhe agrada.
A igreja primitiva, que talvez julgamos ser um tipo de "grupo", era obra de Deus e não de homens. Era o resultado na­tural e espontâneo da obra de Jesus Cristo nos corações dos homens e das mulheres, individualmente. Foi Ele quem os reuniu. Também era Sua a responsabilidade de mantê-los juntos, se assim o desejasse. Em nenhum lugar do Novo Testamento, encontramos os apóstolos correndo atrás de ajuntar crentes a fim de agrupá-los.
Muitos crentes estão, hoje em dia, tentando montar algum tipo de estrutura ou madeiramento para a igreja. Por exemplo, eles acham que, se podem providenciar encontros, orações, lou­vores, vários ministérios, como a Escola Dominical, grupos de adolescentes etc., então, os crentes podem se encaixar nessa organização. Eles podem usar essa estrutura para "apoiar" nela as suas vidas espirituais. Os membros, então, são levados adi­ante passivamente pelas atividades e ministérios dessa organi­zação.
Infelizmente, esse é, exatamente, o tipo de obra do qual fala­mos no capítulo anterior. É tentar fabricar uma estrutura e esperar que ela se encha de Vida. É tentar fazer talos, pétalas, flores e folhas de seda e arame e não deixar simplesmente que a vida da planta cresça. Qualquer tipo de estrutura ou madeiramento organizacional, que possa ser fabricado por seres humanos, nunca se tornará a casa eterna de Deus.
Nossa meta, nossa única meta, é ministrar Jesus uns aos ou­tros e ao mundo. Nosso chamado é para edificar indivíduos. Nosso trabalho é edificar o templo de Deus, que é constituído por homens e mulheres.
Deus então irá usar esses materiais de construção, irá colocá-los juntos em um arranjo divino, que somente Ele pode fazer. Ele irá construir a Sua Igreja! Ele fará o edifício, juntando as partes separadas. Nossa parte é ministrar Jesus Cristo uns aos outros e deixar os resultados com Ele.


COMO FUNCIONA
Quando somos bem sucedidos ao ministrar Vida a outras pessoas, elas amarão mais a Deus; aprenderão a andar em inti­midade com Ele; aprenderão a ouvir a Sua voz e a Lhe obedecer. Conseqüentemente, desejarão estar junto com os outros que sen­tem esse mesmo amor. Então irão procurar companheirismo.Elas irão naturalmente procurar por chances de se juntar a ou­tros para orar, louvar e compartilhar. Assim, a casa de Deus irá crescer e será edificada.
À proporção que cada um segue a liderança do Cabeça e compartilha sua porção de Vida com o resto, a casa de Deus começa a aparecer. Todos os aspectos da Igreja que vemos no Novo Testamento, incluindo encontros, ministérios, uso de dons, etc., começarão a se manifestar automaticamente entre qualquer grupo de crentes que caminham amando e seguindo a Jesus. A Vida Dele irá produzir isso, irá sempre produzir tão somente a Igreja. Deus os conduzirá a tudo o que Ele tem preparado para os que O seguem.
Este conceito é muito simples, embora muito profundo. Se nós, como criancinhas, simplesmente amarmos e seguirmos a Jesus a cada dia, a Igreja brotará. A casa de Deus aparecerá como resultado de Sua Vida. O edifício será o produto de um trabalho sobrenatural. Será algo edificado por Jesus.
Aqui não há lugar para mãos humanas. Não há necessidade de planos e esquemas de homens. Não há necessidade de madeiramentos organizacionais e de estruturas humanas. À medida que simplesmente vivemos Jesus, Sua Vida irá produzir a Igreja. De fato, não há outro modo de se atingir este objetivo.
Por favor, preste cuidadosa atenção nisto. Não há outro modo de construir o templo do Senhor, a não ser permitir que a Vida do Senhor o faça. Somente Ele é capaz de fazer a obra. Com Jesus vivendo em nós e por meio de nós, haverá uma estrutura sobrenatural sendo construída. À medida que O seguimos a cada dia, ministrando-O aos outros, Sua morada aparecerá. A ministração da Vida eterna resultará na edificação da casa de Deus. A Vida de Deus sempre irá crescer na forma da Igreja que Ele deseja. Qualquer coisa que passe disso é apenas uma substi­tuição humana.
Esse modo de edificar quase nunca será impressionante. Aqueles que escolherem edificar com a Vida, dificilmente ficarão famosos, muito procurados ou populares. Suas obras nunca irão competir em termos de grandeza e números com os esquemas dos homens. O modo de Deus tem sido sempre um caminho modesto e humilde.
Precisamos preparar nossa mente para isso. Precisamos imaginar, antes de começarmos, que nossa obra não vai massagear nosso ego ou elevar a nossa popularidade. Nossos corações precisam estar preparados para simplesmente obedecer a Jesus e nunca procurar por resultados que o mundo con­sidera impressionantes. É apenas nos humilhando e nos tornan­do como criancinhas que seremos bem sucedidos em entrar no Reino de Deus (Mt 18:3).
Quando o primeiro broto de uma planta irrompe da terra, nunca é algo pomposo. Não parece ser grande coisa. Contudo, é a coisa real. Portanto, nunca deveríamos julgar nossa obra ou qualquer outra em termos seculares. Nunca deveríamos procu­rar por sucesso, números grandiosos, fama etc., para ver se oque estamos fazendo agrada a Deus.
O único padrão de qualquer obra é se estamos obedecendo a Deus. Se O estamos seguindo fielmente em tudo o que faze­mos, então nossa obra será aprovada. Por outro lado, se ambi­cionamos o sucesso e toda a pompa que o acompanha, então te­remos muitos problemas ao tentar construir a casa de Deus a Seu modo.


A NECESSIDADE DE FÉ
Construir à maneira simples da Vida requer fé. Exige que cada um tenha um relacionamento de fé com Jesus Cristo. Precisamos acreditar que, se apenas O seguirmos a cada dia, fazendo o que Ele nos conduz a fazer, Ele irá produzir os resul­tados. Isso requer muita fé. Precisamos crer que Jesus fará o que Ele disse que faria - construir a Sua Igreja. Precisamos confiar que, enquanto fazemos nossa pequena parte no plano de Deus, Ele cuidará do resto.
Se não tivermos tal fé, então começaremos a fazer coisas por nós mesmos. Por ser o modo da Vida freqüentemente vagaroso e nada impressionante, sempre haverá uma grande tentação para que o homem dê uma mãozinha a Deus. Muitas vezes haverá coisas que imaginamos precisam ser feitas para acelerar um pouco o processo. Haverá freqüentemente a oportunidade de estender as mãos humanas e tentar fazer a obra de Deus no lugar Dele.
Edificar com Vida é caminhar por fé e não por vista. Mas esse tipo de caminhada é muito difícil para o homem natural. É normal para os seres humanos dependerem apenas de coisas tangíveis. Eles confiam facilmente naquilo que podem ver, ouvir e sentir. Conseqüentemente, os homens tendem a buscar algoexterior e terreno. Qualquer homem ou mulher de Deus que quiser construir com Sua Vida, precisa continuamente estar aler­ta contra essa tendência humana.
As estruturas religiosas fornecem tais escoras tangíveis para a alma humana. A organização humana freqüentemente atrai bastante o homem natural. É sempre muito mais fácil que ho­mens e mulheres se sintam confortáveis com algo mental, regu­larmente esquematizado, visível e provável.
Tais sistemas religiosos não requerem muita fé. Não deman­dam uma completa submissão a Deus por parte dos congrega­dos. Eles oferecem espaço de sobra para que crentes sejam con­duzidos pelas suas muitas atividades, entretenimentos e progra­mas, estejam eles, verdadeiramente, procurando a Jesus com todo o seu coração ou não.
Esta é a razão pela qual organizações humanas parecem prosperar, enquanto que o modo de uma simples fé genuína é negligenciado. Tais sistemas têm rótulo cristão, mas fornecem também muito espaço para o homem natural. Neles, um crente carnal pode participar, sem nenhum desconforto. Freqüente­mente tais estruturas humanas fornecem apenas religião sufi­ciente para satisfazer a consciência dos assistentes, junto com uma boa dose de funções sociais e outras atividades para man­ter o homem natural feliz.
Uma caminhada de fé genuína demanda contato contínuo e obediência a Alguém invisível. Esta caminhada em espírito não acontece com o uso de nossos sentidos naturais. Isto significa que precisamos manter um relacionamento íntimo com nosso Salvador, o qual é intangível ao homem natural. É somente por meio dessa comunhão espiritual com Deus que somos bem sucedidos em viver em obediência a Ele e em construir Sua casa eterna. É assim, recebendo Dele o fluxo de Vida, que podemos ministrá-Lo a outros também e construir algo que O agrade.


NÃO DESISTA DE CONGREGAR
Há uma importante admoestação nas Escrituras que nos incita "a não desistir de congregar" (Hb 10:25). Esta é uma palavra essencial para todos os crentes. Se amamos Jesus e O seguimos, naturalmente desejamos estar com outros cristãos tanto quanto possível. Esse "congregar" com eles será um grande desejo de nossos corações. Um cristão obediente sempre estará procurando isto. Portanto, encontrar-se com outros crentes para louvar, orar e fazer edificação mútua será um notável aspecto da experiência da igreja viva. Na verdade, esse desejo ou a ausência dele, é um bom teste para ver se realmente estamos andando em intimidade com Jesus.
Todavia, esse versículo não pode, de maneira alguma, ser considerado como uma ordem para tentar reunir um grupo ou uma estrutura humana. Isto não é o que dizem as Escrituras. Essa exortação visa estimular os crentes a obedecer à liderança do Espírito Santo e a procurar comunhão com outros crentes.
Pelo fato de nossa natureza humana não desejar estar na pre­sença de Deus, seja quando estamos sozinhos, seja em comunhão com outros crentes, existe uma tendência a evitar encontros e camaradagem. Portanto, somos instruídos a nãopermitir que a carne domine sobre nós e a fazer um esforço para continuar a procurar comunhão com os outros.
À medida que servimos uns aos outros por meio do Espírito Santo, nós todos iremos crescer, e a casa de Deus irá se expandir. Quando usamos nossos dons e ministérios para edificar indiví­duos, o templo de Deus estará sendo construído. O próprio Deus juntará as peças para a edificação da casa, conforme Lhe agrada (1 Co 12:18). Então é ali que Ele irá morar eternamente: "dentro" dos homens e mulheres espiritualmente edificados e "entre" eles.
Vamos, juntos, pensar nisto. Quando aparecermos diante do Senhor, o que apresentaremos a Ele? Demonstraremos a nossa maneira de conduzir os nossos encontros? Exibiremos as novas danças ou as peças de teatro? Mostraremos os nossos grupos especiais para os jovens, para os recém-casados, para os solteirosetc.? Nossos padrões, nossas práticas e nossos planos serão de interesse para Ele? Não!
O que Deus estará interessado em ver é como o Seu trabalho de transformação foi ocorrendo em cada indivíduo. Sua atenção estará focalizada no crescimento espiritual de cada um. O que Ele desejará examinar é como cada um de nós tem sido transfor­mado à imagem Dele. O interesse de Deus não será quantas pes­soas nós conseguiremos reunir, mas o nível de maturidade espiritual de cada uma.
Então, já que estas coisas são o objetivo Dele, não deveriam ser também o nosso foco? Não deveríamos também usar nosso tempo e energia para construir o que está no coração do Senhor? Não deveríamos deixar para trás coisas que não irão per­manecer e nos concentrarmos naquelas que irão?
Vamos nos perguntar honestamente: nossa organização pas­sará no teste do Dia do Julgamento? Nossos grupos e nossas atividades brilharão como a luz do sol no dia do Senhor? Então, quanto do nosso esforço é simplesmente inútil e desperdício, ao invés de construirmos aquilo que irá perdurar por toda a eterni­dade?
Na Igreja de Cristo hoje, muitos têm outro objetivo. Estão se esforçando para edificar uma organização grande, bem sucedi­da e que cresça rapidamente. Para ser totalmente justo, creio que a maioria dessas organizações acredita que o crescimento espiritual é uma de suas metas. Eles imaginam que a maturi­dade será o resultado de seus esforços.
Talvez alguns pensem que irão juntar um grupo de pessoas ou "igreja" e que irão usar esta organização como um meio para edificar pessoas. Supõem que irão usar o seu grupo para levar adiante a obra de Deus. Talvez os motivos deles sejam bons, mesmo que as suas práticas sejam deficientes. O problema com esse tipo de método é que, para juntar um grupo e mantê-lo unido, são usados meios humanos e naturais.
Em vez de simplesmente ministrar Cristo, somos levados a encarar a tarefa de fornecer apoio a várias atividades para atrair pessoas, ao mesmo tempo que tentamos trabalhar no estado espiritual delas. Tentamos mantê-las interessadas em algo dife­rente da pessoa de Jesus Cristo e ainda assim, tentamos ajudá-las espiritualmente. Esse é realmente um caminho inadequado para fazer a obra de Deus. Não é fazer a obra de Deus da maneira como Deus trabalha.


     QUAIS SÃO OS NOSSOS MOTIVOS?
Uma outra questão importante, que temos que considerar cuidadosamente diante do Senhor, é: quais são os nossos motivos? Precisamos examinar honestamente os nossos cora­ções. Quando estamos tentando colocar junto um grupo, os nos­sos motivos se tornam divididos.
Sim, queremos servir aos outros em nome de Jesus, mas tam­bém queremos que eles se juntem a nós em nosso grupo. Sem dúvida, cremos que o nosso grupo é obra de Deus, então fica difícil ver que edificar a nossa organização não é o mesmo que edificar a casa de Deus.
Quando temos a motivação de fazer crescer "nosso" grupo particular ou "nossa igreja", então, torna-se impossível não con­vivermos com um tipo de teia de aranha escondida atrás de nós. Falamos sobre Jesus e as coisas de Deus, mas queremos que as pessoas se juntem a nós. Secretamente, queremos prendê-las em nossa teia. Mas, quando estamos sinceramente interessados só em edificar alguém em Cristo, todos os motivos dúbios desa­parecem. Então nos tornamos livres para simplesmente edificar a casa de Deus. Temos então a grande liberdade de servir aos outros sem agenda secreta. Se eles se juntam a nós ou não, não é algo que deve ser considerado.
Com esse tipo de atitude, podemos servir a outros que não concordam conosco. Podemos compartilhar Jesus com outros, em outras "igrejas", sem tentar, secretamente, persuadi-los a deixar o que estavam seguindo para se unir a nós. Podemos ministrar sem motivos dissimulados. Podemos simplesmente falar o que o Espírito Santo está falando no momento e podemos amar aos outros sem empecilhos. Podemos viver Jesus Cristo em grande simplicidade entre outros crentes e também entre os do mundo.
Quando o nosso único motivo é edificar a casa de Deus, podemos servir e edificar a outros livremente. Este tipo de propósito nos permite viver em um tipo de inocência infantil e também em grande liberdade. Quando a nossa meta é edificar indivíduos, podemos permanecer servos humildes. Mas, quan­do o nosso objetivo é reunir um grupo, então muitos fatores entram em cena.
Vamos raciocinar juntos sobre isto. Se desejamos formar um grupo ou uma "igreja" distinta, esse grupo deve ficar apartado da Igreja como um todo. Caso contrário, ela não tem sua própria identificação e, portanto, não poderá ser reconhecida como um grupo. Portanto, para que esse grupo seja formado, precisamos ter alguns métodos para separar homens e mulheres do resto docorpo de Cristo e convencê-los a aderir a nós, às nossas práticas ou aos nossos ensinos.
Esses métodos incluem, mas não se limitam a: persuasão emocional e mental, manobras políticas, uso de forte personali­dade, uma boa maneira de "vender" seu produto e exibição de dons espirituais. Usando vários destes métodos, convencemos um grande número de pessoas de que nossas idéias, práticas e doutrinas são melhores, e que eles devem aderir a nós, assim formando um grupo identificável ou "igreja".
Isto, queridos irmãos e irmãs, é algo feito por mãos humanas. É um lugar onde Deus não mora e nem nunca irá morar. Não é algo feito de acordo com a visão celestial. É sim­plesmente, madeira, feno e palha.

COMO A IGREJA DE DEUS FUNCIONA
À proporção que vivemos e trabalhamos com o foco de edificarmos uns aos outros, é provável que Deus aproxime os corações de algumas pessoas. Certamente acontecerá que o amor de uns pelos outros irá crescer. Não há dúvida de que a comunhão de uns com os outros se tornará tão agradável que eles gastarão um bom tempo juntos. À medida que eles se edificam uns aos outros, Deus irá entrelaçá-los em amor (Cl 2:2). Naturalmente, eles se reunirão para louvar, orar e se edificar. Isto é algo que Deus faz acontecer normalmente, não o resulta­do de um esforço humano.
Alguém de fora, que olhe para esses relacionamentos, pode pensar que isso é uma organização. Mas, na verdade é algo orgânico, vivo, algo feito por Deus e não por homens. Essa "forma" é resultado da Vida de Deus crescendo e vivendoatravés dos indivíduos. Esse grupo não tem paredes. Não é se­parado do resto do corpo de Jesus. Aqueles que participam desta comunhão não são mantidos por algum tipo de artifício, doutrina, líder ou práticas humanas. Eles estão simplesmente vivendo pela Vida de Cristo e servindo uns aos outros.
O resultado disso é a manifestação do Santo Espírito. À medida que crescemos, Ele enche o templo que é formado por pessoas que têm sido edificadas por Ele. A Igreja primitiva era resultado desse tipo de ministração. Os discípulos estavam pre­gando e ensinando sobre Jesus Cristo. Eles O estavam compar­tilhando com o mundo e ministrando-O uns aos outros.
Automaticamente, eles queriam estar junto com outros que amavam a Jesus. O Senhor, então, os entrelaçava, de maneira que eles podiam ser vistos como um grupo. Mas, isto não era resultado de esforço humano. Não era Pedro, Tiago ou João usando seus dons e ministérios para atrair seguidores. Não era resultado de um esforço para organizar o que quer que seja. Era o resultado espontâneo da ministração do Espírito Santo.
Verdadeiramente o Senhor Nosso Deus não vive em uma casa feita por mãos humanas. Se o que estamos fazendo é resul­tado de nossos próprios planos, energia e esforços, então Deus não irá morar lá. Se nosso grupo é um produto de talento administrativo ou habilidade organizacional, podemos estar certos de que Ele não chamará isto de Sua casa.
Se o que estamos fazendo é realmente algo natural e terreno, mesmo se for decorado com rótulos espirituais, ele será queima­do no dia do julgamento. Não importa que pareça muito bom, não importa o que os outros pensem de nossa obra, qualquer coisa feita por mãos humanas nunca será a casa de Deus.
Queridos irmãos e irmãs, esta é uma consideração extrema­mente séria. Embora já tenhamos pensado em várias "igrejas" ou grupos religiosos como sendo santos ou algo muito especial aos olhos de Deus, está na hora - não, até já passou da hora - de olharmos para eles através dos olhos de Deus.
Com a Sua santa Palavra aberta diante de nós, vamos cuida­dosamente e com muita oração, examinar à Sua luz aquilo que estamos fazendo. As tradições dos homens junto com todos os rituais, práticas e "serviços" que os acompanham, não são e nem nunca serão o Templo do Deus vivo.
Nestes últimos dias, com a vinda do Senhor parecendo cada vez mais próxima, seria sábio que nós examinássemos nossas vidas diante de Deus. À Sua luz, vamos honestamente conside­rar a obra de nossas mãos e vamos deixá-Lo expor ou mudar qualquer coisa que não seja de autoria Dele. Que nós possamos,pela Sua misericórdia, ser considerados por Ele como constru­tores de obras de ouro, prata e pedras preciosas.
Como precisamos de uma visão celestial! Como precisamos subir à montanha de Deus e olhar em Seu coração! Como pre­cisamos construir de acordo com Seu plano celestial e não de acordo com idéias e conceitos terrenos! Sem esta revelação sobrenatural, nossa obra para Deus não será vital, penetrante e genuinamente frutífera. Além disso, ela não realizará coisa algu­ma que seja de valor eterno.